sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

PSDB não aprende e vive o eterno “Bate Cabeça”

Faz anos que o PSDB vem sendo seu maior inimigo, no âmbito nacional e, até mesmo, no estado de São Paulo, onde sempre teve uma certa soberania, com pequenos tropeços diante de seu “inimigo” PT.

São brigas internas e conflitos entre membros da direção nacional e até dentro do estado de São Paulo, apenas com menor reflexo negativo no estadual, onde sempre houve uma certa alternância de poderes entre os blocos do estado de São Paulo. Como exemplo podemos citar os embates entre Alckmin X Serra, Doria X Alckmin e Leite X Doria.

As indecisões sobre nomes para concorrer aos cargos do executivo sempre trouxeram muitos embates, brigas internas e até rachas; como foi a saída de Geraldo Alckmin, mais recentemente.

Hoje a briga fica entre o bloco do sulista Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e os líderes do partido em São Paulo. Já se fala em debandada de prefeitos paulistas, até pela perda do comando do Palácio dos Bandeiras, casa do governo do estado.

Os atritos são entre os aliados de Leite e do ex-governador de São Paulo, João Doria. Do lado de Doria estão os prefeitos de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, de Jundiaí, Luiz Fernando Machado, de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira e o presidente da sigla no estado, Marco Vinholi.

Sem a presença de Doria no partido e com Leite assumindo a liderança da executiva nacional de forma provisória, sua efetivação no cargo, com as eleições marcadas para novembro se torna muito provável. Os tucanos paulistas já alertam que não será aceita ingerência em São Paulo ou ações que diminuam seu poder no xadrez nacional. Vale lembrar que São Paulo e Minas Gerais sempre lideraram a sigla no nacional e hoje Minas, com Aécio Neves, está do lado de Leite.

Membros do próprio PSDB afirmam que o constrangimento do grupo paulista, o desrespeito à democracia interna, diante do ocorrido na última eleição (2022) com a destituição da candidatura de Doria à Presidência da República, ou uma possível instabilidade no PSDB com a liderança de Leite, seriam os motivos apontados por PSDBistas para deixar o partido de forma coordenada. Por hora ainda resta um voto de confiança na nova executiva.

Membros da sigla em São Paulo dizem que Leite pode agir com o “fígado”, mas que seria correto e prudente que ele buscasse uma composição, e afirmam que fragilizar o PSDB-SP pode ser ruim para o partido e para futuras pretensões em nível nacional. Machado, prefeito de Jundiaí, já foi sondado pelos MDB e PL. Quando questionado ele se diz feliz no partido, porém não deixa de ressaltar: “mas o PSDB de Mario Covas, o PSDB raiz”, e critica o que alega ser a possibilidade de que a “identidade do partido se transforme num personalismo”.

A permanência do ex-governador Rodrigo Garcia também levanta dúvidas. Rodrigo ainda mantém laços com sua antiga legenda, o DEM, hoje União Brasil.

Esta novela ainda está muito longe de acabar e, a julgar pela tradição do partido, não acabará aqui, as disputas internas sempre atrapalharam as pretensões nacionais do PSDB e assim parece que continuarão, como uma triste e negativa tradição partidária.

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