quinta-feira, 2 de março de 2023

As “rebarbas bolsonaristas” ainda assombram o Brasil

 

Esta semana ficou marcada com o pronunciamento do vereador de Caxias do Sul/RS, Sandro Fantinel, no plenário da Câmara onde atua. A xenofobias e a defesa da exploração pelo trabalho escravo identificado em vinícolas gaúchas foi a base de seu discurso. O partido (Patriota) pelo qual se elegeu, com apoio e defendendo as bandeiras bolsonaristas, diante da repercussão de suas falas, o expulsou da legenda. Além disso, tramita na casa legislativa de Caxias um pedido de cassação de mandato e o vereador ainda tem um boletim de ocorrência registrado contra esse.

O evento não é isolado e não retrata, apenas, a visão de uma pessoa misógina, xenófoba, preconceituosa, ignorante e racista, mas a ideia de sociedade e justiça social que a extrema direita tentou implantar no país nos 4 últimos anos, com Bolsonaro no poder.

Essa é a mesma mente e perversidade que tem ganhado voz no mundo todo com levantes de governos da extrema direita, como foi com Trump (EUA), com Mauricio Macri (Argentina), Jeanine Áñez (Bolívia), Sebastián Piñera (Chile), Iván Duque (Colômbia), Otto Pérez Molina, Alejandro Maldonado e Jimmy Morales (Guatemala) e, no momento, temos Giorgia Meloni (Itália), Rodrigo Chaves (Costa Rica), Nayib Bukele (El Salvador), Guilhermo Lsso (Equador), Viktor Orban (Hungria), Mateusz Morawiecki (Polônia).

Também houve um crescimento expressivo de partidos extremistas e conservadores da direita em outros países europeus, como com os Democratas (Grécia), o Alternativa para a Alemanha (Alemanha), o Vox (Espanha), o Partido da Liberdade Austríaco (Áustria) e a Frente Nacional (França) que quase elegeu Marine Le Pen como presidente em seu país.

No Brasil, os resquícios ou rebarbas deste movimento estão hoje no Congresso Nacional, em prefeituras e governos de estados brasileiros, além de Assembleias estaduais e Câmaras municipais. Porém, fora da política eles também existem, como é o caso de religiosos que usaram a fé e suas igrejas para disseminar discursos de ódio e xenofobia, o machismo instalado em discursos e falas de líderes evangélicos, que alegam que mulheres não devem ter mais estudo que homens, “influenciador” que alega que as mulheres querem “rebaixá-lo” ao lhe convidarem para tomar uma cerveja e depois ameaça uma atriz por ela ironizar sua fala preconceituosa.

Os exemplos são muitos, temos políticos bolsonaristas que divulgam Fake News e “jornalistas” foragidos da justiça pelo mesmo motivo, tudo para atacar o que consideram seu inimigo e para defender o indefensável governo genocida e desastroso que o país teve nos 4 últimos anos.

Infelizmente a justiça pouco ou quase nada faz, para não dizer nada apesar da vontade, diante destes casos. Eventualmente um conselho de ética cassa um ou uma parlamentar aqui outro ali, só para fazer média e a “justiça” decreta uma multa aqui outra ali, com o mesmo motivo. Justiça, de fato, contra estes criminosos, mentirosos, xenófobos, misóginos, racistas, machistas e nojentos, não temos e arrisco dizer que não teremos. Nos resta não esquecermos, marcar este gado a ferro (figurativamente, antes que eu seja o condenado) com suas falas e seus atos, não elegermos mais, fazermos campanhas contra e, principalmente, educarmos as próximas gerações.

Não podemos tolerar o intolerável, aceitar o racismo, sexismo, xenófobo. A mentira e o preconceito não são e nunca serão uma opinião, mas crime e como tal tem que ser punidos. Que a lei e a justiça alcance a todos(as) não apenas a pessoa que rouba arroz ou pão para alimentar seus filhos ou a própria fome. Vai Brasil, tenho fé e esperança em ti e sigo fazendo minha parte.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

PSDB não aprende e vive o eterno “Bate Cabeça”

Faz anos que o PSDB vem sendo seu maior inimigo, no âmbito nacional e, até mesmo, no estado de São Paulo, onde sempre teve uma certa soberania, com pequenos tropeços diante de seu “inimigo” PT.

São brigas internas e conflitos entre membros da direção nacional e até dentro do estado de São Paulo, apenas com menor reflexo negativo no estadual, onde sempre houve uma certa alternância de poderes entre os blocos do estado de São Paulo. Como exemplo podemos citar os embates entre Alckmin X Serra, Doria X Alckmin e Leite X Doria.

As indecisões sobre nomes para concorrer aos cargos do executivo sempre trouxeram muitos embates, brigas internas e até rachas; como foi a saída de Geraldo Alckmin, mais recentemente.

Hoje a briga fica entre o bloco do sulista Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e os líderes do partido em São Paulo. Já se fala em debandada de prefeitos paulistas, até pela perda do comando do Palácio dos Bandeiras, casa do governo do estado.

Os atritos são entre os aliados de Leite e do ex-governador de São Paulo, João Doria. Do lado de Doria estão os prefeitos de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, de Jundiaí, Luiz Fernando Machado, de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira e o presidente da sigla no estado, Marco Vinholi.

Sem a presença de Doria no partido e com Leite assumindo a liderança da executiva nacional de forma provisória, sua efetivação no cargo, com as eleições marcadas para novembro se torna muito provável. Os tucanos paulistas já alertam que não será aceita ingerência em São Paulo ou ações que diminuam seu poder no xadrez nacional. Vale lembrar que São Paulo e Minas Gerais sempre lideraram a sigla no nacional e hoje Minas, com Aécio Neves, está do lado de Leite.

Membros do próprio PSDB afirmam que o constrangimento do grupo paulista, o desrespeito à democracia interna, diante do ocorrido na última eleição (2022) com a destituição da candidatura de Doria à Presidência da República, ou uma possível instabilidade no PSDB com a liderança de Leite, seriam os motivos apontados por PSDBistas para deixar o partido de forma coordenada. Por hora ainda resta um voto de confiança na nova executiva.

Membros da sigla em São Paulo dizem que Leite pode agir com o “fígado”, mas que seria correto e prudente que ele buscasse uma composição, e afirmam que fragilizar o PSDB-SP pode ser ruim para o partido e para futuras pretensões em nível nacional. Machado, prefeito de Jundiaí, já foi sondado pelos MDB e PL. Quando questionado ele se diz feliz no partido, porém não deixa de ressaltar: “mas o PSDB de Mario Covas, o PSDB raiz”, e critica o que alega ser a possibilidade de que a “identidade do partido se transforme num personalismo”.

A permanência do ex-governador Rodrigo Garcia também levanta dúvidas. Rodrigo ainda mantém laços com sua antiga legenda, o DEM, hoje União Brasil.

Esta novela ainda está muito longe de acabar e, a julgar pela tradição do partido, não acabará aqui, as disputas internas sempre atrapalharam as pretensões nacionais do PSDB e assim parece que continuarão, como uma triste e negativa tradição partidária.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Yanomamis: Mais um crime de Jair Bolsonaro

Este final de semana mais um escândalo contra a gestão de Jair Bolsonaro veio à tona. Além do apoio ao desmatamento e ao garimpo ilegal em terras indígenas, que contaminou o solo e os rios na comunidade Yanomami, levando muitos deles à morte. Segundo ofícios do Ministério da Saúde, mais exatamente da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), enviados entre junho de 2021 e março de 2022 para os Ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Cidadania comprovam, ao menos, três pedidos com sérios alertas do órgão sobre a situação nutricional dos yanomamis.

O ofício 52/2022/COGASI/DASI/SESAI/MS, de 01 de fevereiro de 2022, sob o assunto: Solicitação de agenda para o fornecimento das ações de Segurança Alimentar e Nutricional ao Povo Indígena Yanomamis. Alerta para a necessidade de envio de cestas básicas em conformidade com a portaria nº 527, de 26 de dezembro de 2017, reforçando que esta distribuição é de extrema importância para a segurança alimentar da população Yanomamis.

Vale destacar que o ofício citado acima afirma que: “Diante da situação atual do quadro de déficit nutricional demonstrado no relatório supracitado, ressalta-se a importância da manutenção das ações de Distribuição de Alimentos, com objetivo de minimizar emergencialmente as situações de vulnerabilidade alimentar da população indígena yanomami.”

Ressalta ainda que em 30 de junho de 2021, ofício nº 104/21-DASI/SESAI/MS enviado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública já solicitava o apoio para uma articulação com os ministérios que possuem, em sua competência, a distribuição de cestas de alimentos a fim de suprir a deficiência do Ministério da Cidadania, diante da redução de seu orçamento. Na época destes ofícios o Ministro da Justiça era Anderson Torres, Secretário de Segurança Pública do DF preso após atos golpistas de 8 de janeiro.

A PF (Polícia Federal) está investigando, a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) as denúncias de genocídio contra o povo Yanomami, as denúncias levam a Jair Bolsonaro, Damares Alves, Anderson Torres, o governador de Roraima, Antonio Danarium (PP), entre outros.

Jair Bolsonaro e o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, declararam que o descaso com a população Yanomami é de muito tempo e se agravou em gestões anteriores, mas sem quaisquer provas, o que não falta contra a gestão de Bolsonaro e Salles.

O portal GGN teve acesso a um documento com diagnóstico feito pela ONG Missão Evangélica Caiuá que afirmou a inexistência de entrega de alimentos aos índios. O relatório afirma que: "O governo tem realizado a doação, mas infelizmente para os indígenas chega apenas arroz, quando chega".

A situação é terrível, o abandono e descaso com as populações indígenas e tradicionais no país foi enorme nos últimos 4 anos. Tal devastação de matas, liberação de agrotóxicos, conivência do Estado com o garimpo ilegal e o desmatamento nunca se viu depois da redemocratização do país. O governo Lula tem firmado grandes acordos internacionais para ajudar nas ações pela preservação do meio ambiente e para ajudar a população indígena, principalmente os Yanomamis.

O IBAMA VOLTOU

 

sábado, 11 de fevereiro de 2023

A retomada da ação federal contra a degradação ambiental

Nos últimos anos, com leniência do Governo de Jair Bolsonaro (PL), vimos um aumento do desmatamento, da invasão de áreas de preservação e terras indígenas por fazendeiros, madeireiros e garimpeiros que, de forma irregular e ilegal poluíram as águas, derrubaram arvores e queimaram áreas gigantes para abertura de pastos e áreas de plantio.

Com a entrada do novo governo, de Luiz Inácio lula da Silva (PT), o país e o mundo, viram uma retomada da ação federal nas áreas de preservação e em terras indígenas, com a expulsão de garimpeiros e madeireiros e com a destruição dos equipamentos usados nas ações ilegais destes grupos.

O Ibama e a PF (Polícia Federal) têm feito incursões para localizar e prender estes criminosos, além de identificar seus financiadores e, assim, ”matar o mal pela raíz”. O delegado Humberto Freire, Diretor de Meio Ambiente da PF disse “quem aufere maiores lucros obviamente tem uma responsabilidade maior”, quando questionado sobre as ações contra os financiadores dos garimpos ilegais.

Muitos destes garimpeiros vêm se mudando para cidades vizinhas à Terra Yanomami, o que mostra que a ação terá de ser constante na região. Inclusive por ainda haver invasões nas regiões, mesmo com a presença das duas entidades por terra e nos rios.

Lula tem firmado grandes acordos internacionais para ajudar nas ações pela preservação do meio ambiente e para ajudar a população indígena, principalmente os Yanomamis, abandonados pelo governo de Jair Bolsonaro e com a aparente conivência do governo de Roraima e até a possível participação de familiares do governador Antonio Danarium (PP), de RR, na lavagem de dinheiro envolvendo ouro retirado irregularmente por garimpeiros na Terra Yanomami.

Esta semana uma ação emergencial será implantada, já contando com aportes dos institutos de filantropia do bilionário Jeff Bezos e do ator estadunidense Leonardo DiCaprio. Os valores não foram divulgados, mas a ideia é que seja o suficiente para a ampliação das ações contra os garimpos ilegais e para a recuperação das áreas degradadas.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), tem encabeçado estas negociações de acordos onde insistiu que não basta apenas expulsar garimpeiros, mas também impedir que eles retornem. Segundo ela, “Em algumas áreas, quatro de cada dez crianças estão contaminadas pelo mercúrio”.

O Fundo Amazônia também receberá um aporte de US$ 50 milhões, além dos R$ 3 bilhões destinados pela Noruega diante da entrada de Lula no Governo. A expectativa é que o Fundo Amazônia consiga um aporte de US$ 30 bilhões com governos, Institutos e fundos privados.

É fundamental que os órgãos de fiscalização tenham poder para agir, o Governo Bolsonaro desmontou o Ibama, que conta com quase a metade de seu efetivo, e repor estes postos é uma promessa da atual ministra. Segundo Marina Silva, o desmatamento em janeiro de 2023 apresenta uma queda de 60% em relação ao mesmo período do ano passado, com Bolsonaro no poder. Ela ainda garantiu que a meta do governo é criar um contexto onde os avanços da preservação ambiental sejam indissolúveis. Amém...

 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Bolsonaro é bandido, criminoso, mas não fez nada sozinho

 

Semana passada fomos tomados pelas declarações do parlamentar, youtuber parlapatão que ganhou seguidores e eleições mentindo ser um policial nos EUA, Marcos do Val (Podemos). O senador bolsonarista, que hoje se diz contrário a estigma de Bolsonarista, iniciou a semana noticiando sua entrevista a revista Veja, onde alega ter recebido de Jair Messias Bolsonaro (PL) o pedido para que tentasse, por meio de escutas, conseguir alguma alegação do Ministro do STF, Alexandre de Moraes.

Segundo o senador bolsonarista, a ideia de Bolsonaro e sua “trupe” era que o material coletado pelas escutas pudesse ser usado contra o magistrado e, para cancelar as eleições que sacramentaram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente do Brasil.

Depois da repercussão de suas primeiras declarações, Marcos do Val mudou seu relato e alegou que a ideia do grampo, das escutas, foi de outro parlamentar, o também bolsonarista Daniel Silveira (PTB). Ex-deputado que já foi preso anteriormente por alegações antidemocráticas e, agora, encontra-se preso novamente.

Esta mudança no depoimento de Marcos do Val causou mais problemas ao ex-presidente, ao invés de o livrar da participação na tentativa de colocar escutas ilegais no presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Alexandre de Moares.

Depois desta mudança, a própria Veja, trouxe uma matéria a partir de áudios gravados com o hacker Walter Delgatti, onde ele relata uma reunião ocorrida em setembro, na qual participaram o ex-presidente Jair Bolsonaro, a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL) e, convidado por Zambelli, Walter Delgatti.

Nesta reunião Delgatti alega que lhe foi dito que eles teriam umas gravações incriminadoras contra Alexandre de Moraes e que ele teria de assumir a responsabilidade por estas gravações e, em toca, receberia “o céu”, segundo suas palavras. O Vídeo pode ser visto no YouTube, pelo link (https://www.youtube.com/watch?v=nUSjaqBNDQ8).

O que está claro, diante destes episódios, é que Bolsonaro estava a frente de artimanhas para tentar incriminar o ministro Alexandre de Moraes e para cancelar as eleições presidenciais de 2022, mantendo-se no cargo de presidente.

O mais hipócrita destas atitudes criminosas de Bolsonaro, denunciadas por bolsonaristas, é o fato de que tudo é feito para atestar uma parcialidade da justiça eleitoral, para cancelar o resultado das urnas eletrônicas, mas apenas no pleito para presidente da república, no pleito legislativo e de governadores, onde bolsonaristas tiveram ótimos resultados, nestes não há questionamentos, foi tudo legítimo!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Posse do novo congresso, será?

Esta semana os novos congressistas tomaram posse de seus mandatos em Brasília, tanto no Senado como na Câmara dos Deputados. Muitos vindos de mandatos passados e poucos em seus primeiros mandatos. Menor ainda é o número de parlamentares em seu primeiro cargo na vida política.

Talvez, a maior mudança neste ano, seja por conta das movimentações do governo federal para as eleições de presidentes das casas legislativas do Congresso Nacional. Ambos os políticos apoiados pelo partido do presidente, o PT, são os vitoriosos nos pleitos. No Senado o PT apoiou a reeleição de Rodrigo Pacheco (PSD), que derrotou o candidato do grupo bolsonarista, Rogério Marinho (PL). Na Câmara a reeleição de Arthur Lira (PP), apoiado pelo PT de Lula e pelo PL de Bolsonaro, foi com apoio de grande maioria dos deputados, contra os nomes de Chico Alencar (PSOL) e Marcel van Hattem (Novo).

O PT alega que o apoio ao nome de Lira para a Câmara, junto aos deputados bolsonaristas, se dá para a manutenção da chamada “governabilidade”, palavrinha chique, metida a erudita, para traduzir o toma lá dá cá, ou, “uma mão lava a outra e as duas lavam a cara”. Esta chamada governabilidade foi o que levou Michel Temer (MDB) a ocupar a vice presidência com Dilma Rousseff (PT), apesar dele mesmo negar participação no que chamou de golpe (veja no vídeo https://www.youtube.com/watch?v=W45xyv5qLmE), mas foi sim uma peça chave, diante de sua liderança no MDB, maior bancada no Congresso.

Veremos o peso destes apoios e a real intenção dos vencedores diante das demandas do governo depois da destruição provocada pela gestão de Jair Bolsonaro (PL) em seus 4 lamentáveis anos na Presidência da República.

 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Com 469 anos São Paulo ainda engatinha

São Paulo celebra hoje (25/01/2023) seus 469 anos com muito ainda a aprender e repetindo erros do passado. É a cidade mais rica do país, mas ainda tem números extremamente desanimadores quanto a desemprego, distribuição de renda, falta de moradia, criminalidade, e demais indicadores de desenvolvimento.

A cidade que já foi grande polo industrial do estado e do país, mas nos últimos anos perdeu grandes empresas e, com isso muitos postos de trabalho, como ocorreu com a Ford.

São Paulo abriga a B3, maior bolsa de valores da américa latina em movimentação financeira e tem 31,8 mil pessoas em situação de rua (segundo sensu da população em situação de rua 2021, da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social).

Além disso, o déficit na capital paulista é de 369 mil domicílios, segundo dados do PMH (Plano Municipal de Habitação), que leva em conta o enorme número de moradias inadequadas e precárias da cidade, sem contar as, mais de 31 mil pessoas em situação de rua.

Quanto à desnutrição infantil, entre as crianças de até cinco anos de idade, são quase 7 mil (6.631), sendo mais de 3 mil (3.069) crianças com desnutrição grave. Em grande parte, a causa é a péssima distribuição de renda, pois um terço dos menores de 14 anos do estado de SP vivem em famílias com renda de até meio salário mínimo, aponta pesquisa realizada pela Fundação Abrinq com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Um grande problema é a falta de políticas públicas abrangentes e assertivas, com resultados duradouros e não ações rápidas e rasas para fins eleitoreiros. Um exemplo disso é a despoluição do Rio Pinheiros, uma realização incrível e que sim, traz e trará grandes benefícios a cidade e aos paulistas, mas só despoluir não resolve, um amplo trabalho de canalização de córregos, de ligação de casas à rede de esgoto, ações sanitárias de emergência fizeram parte deste projeto, mas isso só ocorreu nas regiões do entorno do rio, que afetam diretamente a ele. E o resto da cidade?

É são 469 e ainda muito a aprender, aprender a respeitar o outro, a pensar em sociedade e no coletivo, a tirar o olho do umbigo e ver mais a frente. Temos de lembrar que nossos filhos e netos estarão aqui no futuro e o que queremos deixar a eles, qual cidade, quais exemplos?

Como diz a música: “Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto; Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto ... E quem vende outro sonho feliz de cidade; Aprende depressa a chamar-te de realidade; Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso ... Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas; Da força da grana que ergue e destrói coisas belas; Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas; Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços; Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva”. Outrora uma simples frase de camiseta, mas que sempre me vem à cabeça quando penso em ti “São Paulo, quem bebe deste veneno, não morre em outro lugar”. Triste a realidade que já se faz poetizada, mas ainda colho a esperança de que seu futuro é melhor que seu presente. Parabéns São Paulo...