quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Com 469 anos São Paulo ainda engatinha

São Paulo celebra hoje (25/01/2023) seus 469 anos com muito ainda a aprender e repetindo erros do passado. É a cidade mais rica do país, mas ainda tem números extremamente desanimadores quanto a desemprego, distribuição de renda, falta de moradia, criminalidade, e demais indicadores de desenvolvimento.

A cidade que já foi grande polo industrial do estado e do país, mas nos últimos anos perdeu grandes empresas e, com isso muitos postos de trabalho, como ocorreu com a Ford.

São Paulo abriga a B3, maior bolsa de valores da américa latina em movimentação financeira e tem 31,8 mil pessoas em situação de rua (segundo sensu da população em situação de rua 2021, da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social).

Além disso, o déficit na capital paulista é de 369 mil domicílios, segundo dados do PMH (Plano Municipal de Habitação), que leva em conta o enorme número de moradias inadequadas e precárias da cidade, sem contar as, mais de 31 mil pessoas em situação de rua.

Quanto à desnutrição infantil, entre as crianças de até cinco anos de idade, são quase 7 mil (6.631), sendo mais de 3 mil (3.069) crianças com desnutrição grave. Em grande parte, a causa é a péssima distribuição de renda, pois um terço dos menores de 14 anos do estado de SP vivem em famílias com renda de até meio salário mínimo, aponta pesquisa realizada pela Fundação Abrinq com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Um grande problema é a falta de políticas públicas abrangentes e assertivas, com resultados duradouros e não ações rápidas e rasas para fins eleitoreiros. Um exemplo disso é a despoluição do Rio Pinheiros, uma realização incrível e que sim, traz e trará grandes benefícios a cidade e aos paulistas, mas só despoluir não resolve, um amplo trabalho de canalização de córregos, de ligação de casas à rede de esgoto, ações sanitárias de emergência fizeram parte deste projeto, mas isso só ocorreu nas regiões do entorno do rio, que afetam diretamente a ele. E o resto da cidade?

É são 469 e ainda muito a aprender, aprender a respeitar o outro, a pensar em sociedade e no coletivo, a tirar o olho do umbigo e ver mais a frente. Temos de lembrar que nossos filhos e netos estarão aqui no futuro e o que queremos deixar a eles, qual cidade, quais exemplos?

Como diz a música: “Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto; Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto ... E quem vende outro sonho feliz de cidade; Aprende depressa a chamar-te de realidade; Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso ... Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas; Da força da grana que ergue e destrói coisas belas; Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas; Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços; Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva”. Outrora uma simples frase de camiseta, mas que sempre me vem à cabeça quando penso em ti “São Paulo, quem bebe deste veneno, não morre em outro lugar”. Triste a realidade que já se faz poetizada, mas ainda colho a esperança de que seu futuro é melhor que seu presente. Parabéns São Paulo...


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