Como
em toda troca de governo, seja no âmbito federal, estadual ou municipal, junto
a troca do mandatário do executivo ocorre a troca de ministros, de secretários
e cargos relacionados. No governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) isso tem um
simbolismo e significado maior diante das enormes divergências entre os
mandatários e suas visões políticas e sociais.
O
primeiro escalão do Governo Lula assumiu esta semana, com muitas nomeações e
exonerações de membros que faziam parte do antigo governo, de Jair Bolsonaro
(PL). Dentro das alterações e mudanças de comando, algumas geraram maior
repercussão que outros. Na grande maioria, para não dizer totalidade, a
repercussão é bem positiva com os nomes apresentados e pelos exonerados.
Entre
os nomes apresentados que podemos afirmar serem muito bem vindos pelos órgãos
de cada área e seus profissionais podemos citar a nova ministra da Saúde, Nísia
Trindade, cientista social, socióloga, pesquisadora e professora universitária
brasileira e ocupou o cargo de presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
entre os anos de 2017 e 2022. Nísia já iniciou seus trabalhos promovendo um
enorme “revogasso” de todas as medidas adotadas pelo Ministério que feriam os
direitos humanos. Segundo Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização
Mundial da Saúde), a escolha do governo é excelente, ele completou dizendo: “Conhecemos
Nísia muito bem, tem ampla experiência e espero que ela contribua
significativamente”.
Outra
das nomeações bastante aplaudida e bem recebida é a do novo ministro dos
Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Luiz de Almeida, advogado, filósofo e
professor universitário brasileiro, que teve seu discurso de posse bastante
aplaudido dentre e fora do país, com enorme repercussão das redes sociais. Em
trecho de seu discurso, diz
“- Trabalhadoras e trabalhadores do Brasil,
vocês existem e são valiosos para nós;
- Mulheres do Brasil, vocês existem e são valiosas para nós;
- Homens e mulheres pretos e pretas do Brasil, vocês existem e são valiosos
para nós;
- Povos indígenas deste país, vocês existem e são valiosos para nós;
- Pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, travestis, intersexo e não
binárias, vocês existem e são valiosas para nós;
- Pessoas em situação de rua, vocês existem e são valiosas para nós;
- Pessoas com deficiência, pessoas idosas, anistiados e filhos de anistiados,
vítimas de violência, vítimas da fome e da falta de moradia, pessoas que sofrem
com a falta de acesso à saúde, companheiras empregadas domésticas, todos e
todas que sofrem com a falta de transporte, todos e todas que têm seus direitos
violados, vocês existem e são valiosos para nós.”
E completou dizendo: “Com esse compromisso, quero ser ministro de um país
que ponha a vida e a dignidade humana em primeiro lugar”.
Entre
as exonerações, temos a de nomes marcantes e de muita atuação no governo de
Bolsonaro, como é o caso de Augusto Heleno Ribeiro Pereira, chamado de General
Heleno, que ocupava o cargo de Chefe do Gabinete de Segurança Institucional
(GSI) da Presidência da República. General Heleno foi exonerado no primeiro dia
de mandato de Lula, sendo a segunda vez que Lula exonera o ex-general. A
primeira ocorreu no ano de 2005, no primeiro mandato de Lula na presidência do
Brasil. Na época, Heleno era comandante do efetivo brasileiro no Haiti, em
missão de cooperação com a ONU (Organização das Nações Unidas) e depois de uma
ação desastrosa do exército brasileiro, no país da América Central, que levou a
morte de 63 pessoas e deixou outras 30 feridas. Lembrando que ainda pesa contra
o ex-Militar, durante sua atuação no Haiti, denúncias de que sob sua tutela
oficiais brasileiros cometeram estupro, pedofilia e abandono de crianças no
país.
Outra
exoneração que agradou profissionais da área, no caso os profissionais do
Itamaraty, foi a de Maria Nazareth Farani Azevedo, ex-embaixadora do Brasil em
Nova Iorque. Maria Nazareth chegou a ocupar o cargo de Chefe de Gabinete do
Ministro das Relações Exteriores entre 2005 e 2008, na gestão de Celso Amorim.
Porém, nos últimos anos, durante a gestão de Bolsonaro, ela assumiu um papel de
defensora das posturas e posicionamentos da extrema direita bolsonarista.
Dentro do Itamaraty, a palavra “Traição” passou a ser usada para qualificar
seus gestos nestes últimos anos. Outro evento que a elevou como representante
do bolsonarismo na diplomacia ocorreu no ano de 2019, quando ela ocupava o
cargo de embaixadora do Brasil na ONU, nesta época promoveu um enorme bate-boca
com o, então deputado federal, Jean Willys e, por isso, acabou recebendo
agradecimentos do ex-presidente, Jair Bolsonaro, que telefonou à chanceler
agradecendo-a por defender seu nome.
Estes
são alguns dos nomes, outros muito estão aí e ainda poderão ser nomeados,
principalmente para as secretarias dentro de ministérios do governo. O Início é
promissor, pelo menos nas ações imediatas e nos discursos, veremos na prática,
lembrando que dificilmente veremos algo radical ocorrendo, pois muita coisa
depende dos parlamentares e a negociação, nestes casos, é mais trabalhosa e
morosa. Vamos torcer por melhoras e acompanhar as ações, sempre cobrando,
criticando e parabenizando, quando merecido. A função da imprensa e do cidadão,
em uma democracia não pode ser minimizada ou ocorrer apenas nas eleições, ela
deve ser constante.


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