Durante
todo o período de pré-campanha, de propaganda política, entrevistas, sabatinas
e debates Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou que a política nacional
sofreria mudanças, se comparado ao modelo e postura do governo anterior, de
Jair Bolsonaro (PL). Não há, segundo ele, ideia de que sua visão e suas
propostas sejam perfeitas, até por que o Brasil é outro e o mundo é outro de
seus governos anteriores, mas que erros já cometidos, por seu e por outros
governos, não seriam aceitados.
Um
exemplo de área que mostrou muito problema e é, hoje, alvo de muitas denúncias
e investigações é o MEC (Ministério da Educação) e a FNDE (Fundação Nacional de
Desenvolvimento da Educação), que vinham sendo chefiados por indicados do
chamado “Centrão”, e agora estão sob o comando do Partido dos Trabalhadores com
o ex-governador do Ceará como ministro da Educação, Camilo Santana (PT) e o
FNDE será chefiado pela ex-secretária da Fazenda do Ceará, Fernanda Pacobahyba,
nomeada para o cargo pelo atual ministro da Educação, Camilo Santana (PT). Aliás,
o MEC, sob comando de Camilo Santana, tem o maior número de mulheres em cargos
de chefia de secretarias, com 8 das 11 nomeações nas mãos de mulheres.
No
ambiente das nomeações para o 2º escalão, o governo Lula vem sofrendo enorme
pressão de aliados. Para os cargos de ministros Lula e o PT conseguiram manter
a maior parte sob a chefia de membros do próprio partido, mas o segundo escalão
deverá ter mais espaço para partidos aliados, que estiveram junto ao PT no
primeiro e no segundo turno das eleições de 2022. Entre os cargos cobiçados e
que são disputados por estes aliados estão a presidência do INSS (Instituto
Nacional do Seguro Social), do Incra (Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária), do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico) e
dos Correios, além de agências reguladoras. Entre os partidos aliados, que não
receberam Ministérios e estão cobiçando estes cargos do 2º escalão estão o PV, Solidariedade
e Avante.
O
governo tem interesse de que o Brasil volte a ter um convívio harmônico e um
bom relacionamento com seus vizinhos. Lembrando que o país já esteve em posição
de liderança no Mercosul, sendo, inclusive, um dos maiores incentivadores para
a criação do bloco de países sul-americanos. Uma das propostas neste sentido
seria a criação de uma moeda única para o Bloco, assim como já ocorre na União
Europeia, com o Euro. O presidente do Chile, Gabriel Boric, classificou como “interessante”
a proposta feita pelo ministro da Economia, Fernando Haddad, alegando que a
criação desta moeda pode sim fortalecer o vínculo comercial na região. Segundo
Boric “os processos são de longo prazo”, e “Pensemos na experiência europeia. A
Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (primeira entidade supranacional entre
os países europeus) foi fundada nos anos 1950. E acabou na União Europeia, que
só conseguiu uma moeda comum quase 50 anos depois”.
Em
relação à China o Brasil de Lula sempre teve bom relacionamento, inclusive com
a criação dos BRICs (bloco criado com Brasil, Rússia, Índia e China e,
posteriormente, África do Sul) e esta relação ficou extremamente estremecida,
diante da postura de Bolsonaro, de ofensas e sarcasmos com a política e a
população Chinesa, incluindo alegações xenófobas por parte do, então,
presidente do Brasil. Quanto as relações comerciais, desde 2009 a China é o
principal parceiro do Brasil e a participação da China no mercado externo
brasileiro só cresceu, desde então. Já no âmbito diplomático a parceria não
seguiu um rito crescente, como no comercial, durante o governo de Bolsonaro esta
área ficou muito estremecida, inclusive, chegando ao ponto de troca de ofensas
e xingamentos entre o Dep. Federal Eduardo Bolsonaro, filho do então presidente
brasileiro, e o embaixador chinês em Brasília, Yang Wanmig.
Ainda
quanto a relação Brasil China, Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa
do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China), explicou que “A relação política
com a China esfriou muito no governo Bolsonaro. Mas ainda assim a parte
comercial em si não foi particularmente prejudicada, tendo inclusive crescido
no ano passado. Acho curioso que, apesar desse desinteresse, e até mesmo certa
animosidade, de parte do governo Bolsonaro, a relação com a China fluiu muito
bem em termos práticos na área econômica. Os investimentos aumentaram, o
comércio bateu recorde atrás de recorde, abriram novos mercados para produtos
agrícolas na China”. Para Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil em Pequim
(China) e Washington (EUA), um dos maiores desafios nesta relação é a postura
que o país adotará diante dos atuais desentendimentos, que incluem a guerra
comercial e diplomática, entre a China e ou EUA. Segundo Abdenur, a atuação do Brasil
se caracterizara pela “reconstrução” da política externa brasileira.


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