Os
discursos de posse, tanto de Lula (PT) quanto de seus Ministros já demonstram
um completo descolamento das ações e posturas adotadas pelo governo de Jair
Bolsonaro (PL). Este movimento já se mostrou presente nas propostas e ações dentro
e fora do país, como podemos observar diante da postura do Brasil em relação a
Israel, no Conselho de Segurança da ONU.
Lembrando
que, ano passado o Brasil foi eleito para um assento rotativo no Conselho de Segurança
da ONU com duração de 2 anos. Mas algo que já está claro é que, com a eleição
presidencial e a vitória de Lula, a postura do país no conselho já é outra.
Desde
2019, durante o governo Bolsonaro, o Itamaraty modificou sua postura nos temas referentes
ao Oriente Médio adotando uma clara parcialidade comungando dos discursos de Israel
e dos EUA, frente os debates da região.
O
atual ministro das Relações Internacionais, chanceler Mauro Vieira, ao tomar
posse no dia 02, já afirmou que o país voltaria a adotar uma postura que chamou
de “equilibrada” nos temas referentes ao Oriente Médio e Israel, postura esta
que se basearia no direito internacional e nos acordos já firmados.
Entre
os acordos e tratados, podemos citar o tratado que institui as fronteiras de
Israel e Palestina e impede a titulação de Jerusalém como capital de qualquer
uma das duas nações, dividindo-a entre os dois territórios (Israel e Palestina).
Diante
desta mudança de atuação, nesta quinta-feira, o Conselho foi convocado, às
pressas, com a finalidade de debater a crise iniciada com a decisão do ministro
de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de fazer uma incursão na
Esplanada das Mesquitas ("Haram-El-Sharif"), local sagrado aos
muçulmanos que está localizado na parte palestina de Jerusalém.
Nesta
reunião a delegação brasileira deixou claro que, ao contrário dos últimos
quatro anos, não hesitará em denunciar as ações de Israel quando considerar que
esta representa violações aos tratados internacionais.
Em
seu discurso a delegação do Brasil afirmou “O Brasil seguiu com grande
preocupação as recentes incursões do ministro de Segurança Nacional de Israel”,
e completou que, para o Itamaraty, trata-se de um ato “profundamente alarmante”
que pode “ampliar a violência” entre as nações, na região.
Além
do Brasil, outros representantes também criticaram a ação de Itamar Ben-Gvir, o
representante do governo palestino, Riyad Mansour, afirmou que o Conselho de
Segurança precisa começar a tomar medidas contra os atos de desrespeito aos
tratados, por parte de Israel. Em seu discurso Mansour perguntou, “Que linha
vermelha precisa Israel de atravessar para que o Conselho de Segurança
finalmente diga, basta”. O representante da ONU para Assuntos Políticos, Khaled
Khiari, afirmou que é a primeira vez, desde 2017, que um ministro do gabinete
israelita visita a região e que, mesmo sem emprego de violência, a atitude é
considerada “inflamatória”.
O
embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, alegou que o país não alterou o status
quo da região e que “judeus são autorizados a visitarem o local mais sagrado do
judaísmo”. Já o representante dos EUA, Robert Wood, deixou claro que confia que
Israel manterá a defesa à preservação do status quo dos lugares santos. “Esperamos
que o governo de Israel cumpra esse compromisso”, completou Wood.
O Itamaraty também afirmou seu compromisso para uma solução de dois estados viáveis na região (Palestina e Israel) e que cabe ao Conselho de Segurança da ONU assumir, diante deste cenário, um papel firme na buscar da estabilidade na região.


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