sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Dá-se início a reconstrução da imagem e atuação do Brasil no exterior, no Conselho de Segurança da ONU

Os discursos de posse, tanto de Lula (PT) quanto de seus Ministros já demonstram um completo descolamento das ações e posturas adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). Este movimento já se mostrou presente nas propostas e ações dentro e fora do país, como podemos observar diante da postura do Brasil em relação a Israel, no Conselho de Segurança da ONU.

Lembrando que, ano passado o Brasil foi eleito para um assento rotativo no Conselho de Segurança da ONU com duração de 2 anos. Mas algo que já está claro é que, com a eleição presidencial e a vitória de Lula, a postura do país no conselho já é outra.

Desde 2019, durante o governo Bolsonaro, o Itamaraty modificou sua postura nos temas referentes ao Oriente Médio adotando uma clara parcialidade comungando dos discursos de Israel e dos EUA, frente os debates da região.

O atual ministro das Relações Internacionais, chanceler Mauro Vieira, ao tomar posse no dia 02, já afirmou que o país voltaria a adotar uma postura que chamou de “equilibrada” nos temas referentes ao Oriente Médio e Israel, postura esta que se basearia no direito internacional e nos acordos já firmados.

Entre os acordos e tratados, podemos citar o tratado que institui as fronteiras de Israel e Palestina e impede a titulação de Jerusalém como capital de qualquer uma das duas nações, dividindo-a entre os dois territórios (Israel e Palestina).

Diante desta mudança de atuação, nesta quinta-feira, o Conselho foi convocado, às pressas, com a finalidade de debater a crise iniciada com a decisão do ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de fazer uma incursão na Esplanada das Mesquitas ("Haram-El-Sharif"), local sagrado aos muçulmanos que está localizado na parte palestina de Jerusalém.

Nesta reunião a delegação brasileira deixou claro que, ao contrário dos últimos quatro anos, não hesitará em denunciar as ações de Israel quando considerar que esta representa violações aos tratados internacionais.

Em seu discurso a delegação do Brasil afirmou “O Brasil seguiu com grande preocupação as recentes incursões do ministro de Segurança Nacional de Israel”, e completou que, para o Itamaraty, trata-se de um ato “profundamente alarmante” que pode “ampliar a violência” entre as nações, na região.

Além do Brasil, outros representantes também criticaram a ação de Itamar Ben-Gvir, o representante do governo palestino, Riyad Mansour, afirmou que o Conselho de Segurança precisa começar a tomar medidas contra os atos de desrespeito aos tratados, por parte de Israel. Em seu discurso Mansour perguntou, “Que linha vermelha precisa Israel de atravessar para que o Conselho de Segurança finalmente diga, basta”. O representante da ONU para Assuntos Políticos, Khaled Khiari, afirmou que é a primeira vez, desde 2017, que um ministro do gabinete israelita visita a região e que, mesmo sem emprego de violência, a atitude é considerada “inflamatória”.

O embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, alegou que o país não alterou o status quo da região e que “judeus são autorizados a visitarem o local mais sagrado do judaísmo”. Já o representante dos EUA, Robert Wood, deixou claro que confia que Israel manterá a defesa à preservação do status quo dos lugares santos. “Esperamos que o governo de Israel cumpra esse compromisso”, completou Wood.

O Itamaraty também afirmou seu compromisso para uma solução de dois estados viáveis na região (Palestina e Israel) e que cabe ao Conselho de Segurança da ONU assumir, diante deste cenário, um papel firme na buscar da estabilidade na região.

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