domingo, 15 de janeiro de 2023

Com baixa aprovação da presidente em exercício, Peru prorroga estado de emergência

Com o aumento dos protestos contra a presidente Dina Boluarte o Peru decretou prorrogação por mais 30 dias do “estado de emergência” em quatro províncias (Callao, Andahuaylas, Tambopata e Tahuamanu) e três regiões (Lima [capital federal], Cusco e Puno). Segundo o governo, a ordem visa garantir segurança às manifestações populares.

O “estado de emergência” autoriza o Exército a atuar juntamente com a polícia no monitoramento dos protestos. Ele também suspende certos direitos, como a liberdade de ir e vir e o princípio de inviolabilidade de domicílios. Em Puno, considerado epicentro dos protestos, o toque de recolher foi prorrogado por dez dias, das 20h às 4h, no horário local.

Os protestos se iniciaram com a deposição e prisão do presidente eleito, Pedro Castillo, depois de tentar, através de um decreto, fechar o congresso, o que foi considerado uma tentativa de golpe de estado além de ser uma ação inconstitucional segundo as leis peruanas.

A prorrogação se dá pelo medo do governo de que as cenas de violência registradas nas regiões andinas, nas últimas semanas, se repitam em Lima, capital do país. Segundo o governo, os protestos são ações de extremistas e guerrilheiros. A presidente Dina afirmou que “existem setores extremistas que buscam gerar desordem e caos”. Recentemente, a polícia peruana prendeu Rocío Leandro, ex-integrante da guerrilha Sendero Luminoso, acusado de financiar atos de vandalismo pelo país.

O general Óscar Arriola, porta-voz da polícia, disse que Rocío é “um assassino marxista, leninista e maoísta” e alegou que ele está envolvido em mais de dez mortes nos protestos na região de Ayacucho. Rocío é acusado, também, de tentar formar uma quadrilha com outras sete pessoas que já se encontram presas.

O partido Perú Libre, que elegeu Castillo e Dina, rejeitou esta versão das autoridades policiais, o que caracteriza como uma estratégia para criminalizar os protestos. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Peruanos e divulgada pelo jornal La República, 71% da população reprova a atuação de Dina na condução do governo e apenas 19% alegam aprovarem sua gestão.

A situação no país parece estar muito longe de um fim, ainda na mesma pesquisa 66% dos peruanos dizem reprovar a tentativa de golpe, enquanto 30% afirmam ter uma visão favorável, sobre a atuação do congresso, pivô da crise política, 9 em cada 10 peruanos (88%) afirmam que o Parlamento atua mal e cerca de 60% dos entrevistados são favoráveis a soltura de Castillo.

Os manifestantes pedem a renúncia da presidente Dina, a libertação de Castillo, a dissolução do Parlamento e a antecipação das eleições para este ano, mas nem Dina e nem o parlamento comprou estas propostas. Veremos se algo se define de fato ainda este ano, mas nenhum dos lados parece querer ceder.

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