Com o aumento dos protestos contra a presidente Dina
Boluarte o Peru decretou prorrogação por mais 30 dias do “estado de emergência”
em quatro províncias (Callao, Andahuaylas, Tambopata e Tahuamanu) e três
regiões (Lima [capital federal], Cusco e Puno). Segundo o governo, a ordem visa
garantir segurança às manifestações populares.
O “estado de emergência” autoriza o Exército a atuar
juntamente com a polícia no monitoramento dos protestos. Ele também suspende
certos direitos, como a liberdade de ir e vir e o princípio de inviolabilidade
de domicílios. Em Puno, considerado epicentro dos protestos, o toque de
recolher foi prorrogado por dez dias, das 20h às 4h, no horário local.
Os protestos se iniciaram com a deposição e prisão do
presidente eleito, Pedro Castillo, depois de tentar, através de um decreto,
fechar o congresso, o que foi considerado uma tentativa de golpe de estado além
de ser uma ação inconstitucional segundo as leis peruanas.
A prorrogação se dá pelo medo do governo de que as cenas
de violência registradas nas regiões andinas, nas últimas semanas, se repitam
em Lima, capital do país. Segundo o governo, os protestos são ações de
extremistas e guerrilheiros. A presidente Dina afirmou que “existem setores
extremistas que buscam gerar desordem e caos”. Recentemente, a polícia peruana
prendeu Rocío Leandro, ex-integrante da guerrilha Sendero Luminoso, acusado de
financiar atos de vandalismo pelo país.
O general Óscar Arriola, porta-voz da polícia, disse que
Rocío é “um assassino marxista, leninista e maoísta” e alegou que ele está
envolvido em mais de dez mortes nos protestos na região de Ayacucho. Rocío é
acusado, também, de tentar formar uma quadrilha com outras sete pessoas que já
se encontram presas.
O partido Perú Libre, que elegeu Castillo e Dina,
rejeitou esta versão das autoridades policiais, o que caracteriza como uma
estratégia para criminalizar os protestos. Segundo pesquisa realizada pelo
Instituto de Estudos Peruanos e divulgada pelo jornal La República, 71% da
população reprova a atuação de Dina na condução do governo e apenas 19% alegam
aprovarem sua gestão.
A situação no país parece estar muito longe de um fim,
ainda na mesma pesquisa 66% dos peruanos dizem reprovar a tentativa de golpe,
enquanto 30% afirmam ter uma visão favorável, sobre a atuação do congresso,
pivô da crise política, 9 em cada 10 peruanos (88%) afirmam que o Parlamento
atua mal e cerca de 60% dos entrevistados são favoráveis a soltura de Castillo.
Os manifestantes pedem a renúncia da presidente Dina, a libertação de Castillo, a dissolução do Parlamento e a antecipação das eleições para este ano, mas nem Dina e nem o parlamento comprou estas propostas. Veremos se algo se define de fato ainda este ano, mas nenhum dos lados parece querer ceder.


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