quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Opção nuclear não é descartada por Rússia

Com a proximidade do encontro de líderes de países aliados à Kiev (Capital da Ucrânia) no combate contra a Rússia. Onde está previsto o acordo de envio de armas e tanques para ajudar o país na luta contra a invasão russa, iniciada em fevereiro de 2022. É a primeira vez que os aliados falam mais abertamente da possibilidade de ajuda militar, além das sanções já decretadas contra a Rússia.

Diante desta nova investida contra as ações de Vladmir Putin, seu aliado Dmitri Medvedev, que governou o país em nome de Putin entre os anos de 2008 e 2012, alegou que: “Baladeiros políticos subdesenvolvidos repetem como mantra: ‘para existir a paz, a Rússia precisa perder’. Nunca lhes ocorre trazer a seguinte conclusão elementar disso: a derrota de uma potência nuclear numa guerra convencional pode levar a uma guerra nuclear. Potências nucleares não perdem conflitos em que seu destino está em jogo”.

O porta voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reforçou as afirmações de Medvedev e, diante da reportagem do jornal estadunidense New York Times, que alega que o governo de Joe Biden diz que pode vir a apoiar uma eventual ofensiva ucraniana contra a Crimeia (anexada a Rússia em 2014). Sobre esta possibilidade, Peskov afirmou que essa decisão “significaria elevar o conflito a um novo nível que não acabará bem para a segurança europeia”.

Com a possibilidade de os aliados ajudarem militarmente a Ucrânia, o governo sueco – que negocia, assim como a Ucrânia, sua entrada na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) – que colocará um número indeterminado de sistemas de artilharia Archer a disposição do megapacote militar que pode ser apresentado na sexta feira. Além disso, a Suécia também promete o envio de 50 carros de combate leves.

O esforço dos aliados também conta com a proposta dos Estados Unidos de envio de 50 blindados Bradley, US$ 2 bilhões e o sistema antiaéreo Patriot. Diante das ajudas já anunciadas a pressão para que a Alemanha aumente sua participação no pacote militar de ajuda a Kiev vem crescendo, a pressão é para enviar alguns dos seus 376 blindados Leopard-2 (tanque mais moderno utilizado na Europa), mas principalmente para autorizar os outros operadores a enviar seu produto para uma terceira parte.

Berlim ainda resiste a essas propostas o que levou a queda de sua ex-Ministra da Defesa, Christine Lambrecht, e o premiê Olaf Scholz foi muito cobrado por seus vizinhos europeus durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, e voltou a afirmar que é precioso ter cautela para a tomada de decisões neste sentido. Sobre este tema, autoridades alemãs, anonimamente, alegam que a possibilidade de envio de Leopards-2 está atrelada ao envio de blindados M-1A2 Abrams, pelos EUA.

Diante desta alegação dos alemães os americanos, através do assessor do Pentágono, Colin Kahl, alegaram que “Acho que não estamos lá ainda. O Abrams é um equipamento complexo, caro, difícil de treinar seu uso”. (O tanque estadunidense usa um motor com turbina o que aumenta sua velocidade e, mais ainda, seu consumo de combustível, algo já delicado na região).

Enquanto estes debates seguem sendo realizados, o governo ucraniano eleva a cobrança. No Telegram, o assessor presidencial da Ucrânia, Andrii Iermak, afirmou “Não temos tempo. A questão dos tanques precisa ser resolvida o mais rapidamente possível, estamos pagando pela demora com a vida do nosso povo”.

Lamentavelmente, enquanto isso, civis morrem, perdem suas casas, seus familiares, seus empregos e não se consegue ter uma noite de sono nas regiões de conflito da Ucrânia. A ganância estadunidense e a arrogância russa mostram sua total falta de respeito com a população local e remontam embates da famigerada Guerra Fria, com a prática, pelos EUA da chamada “Guerra por Procuração” para buscar um cerco militar a Rússia.

 

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