Mauro
Vieira assume o cargo de Ministro das Relações internacionais e promete colocar
o Brasil, de volta, a alta roda de acordos e debates internacionais com
respeito ao Brasil e aos brasileiros e foco na busca por um mundo mais humano,
pacífico e com respeito a diversidade e as minorias, como será regida nossa
política interna, segundo declarações do próprio Lula, em sua posse.
Ontem,
em sua posse no Itamaraty, o chanceler Mauro Vieira anunciou que o país terá uma
mudança profunda e o abandono completo das linhas de política externa adotadas
pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Em seu discurso de posse ele afirmou que o
país sofrerá um "enorme trabalho de reconstrução, depois de um retrocesso
sem precedentes em nossa política externa".
Podemos
destacar algumas das mudanças, já anunciadas, na atuação do Itamaraty sob a
tutela do novo chanceler:
-
PALESTINA E ISRAEL: O Brasil voltará a adotar sua visão
"tradicional e equilibrada" na questão entre Israel e Palestina, com
a defesa das fronteiras reconhecidas internacionalmente.
-
RELACIONAMENTO COM EUA: Busca por um relacionamento "em pé de
igualdade" com os americanos. "Com os Estados Unidos queremos
relações em pé de igualdade, baseadas em valores e interesses comuns, sem
qualquer tipo de preconceito sobre temas e assuntos, e isentas de alinhamentos
automáticos. Desejamos dinamizar nosso relacionamento econômico e atrair
investimentos, bem como continuar a fortalecer os laços humanos, culturais e
educacionais que unem as duas sociedades. Trataremos de maneira madura
eventuais diferenças, naturais em uma relação com essa importância e
densidade", afirmou Vieira.
-
RELACIONAMENTO COM A EUROPA: Com relação a Europa, o novo chanceler
indicou que o país tem interesse em um acordo comercial com a Comunidade
Europeia. Mas que este ele precisa ser equilibrado, sinalizando que o texto
aprovado em 2019 pelo governo Bolsonaro não satisfaz a atual gestão.
-
DIVERSIDADE NO ITAMARATY: Afirma que o Itamaraty irá adotar uma política
de maior diversidade para a carreira diplomática, com um maior número de
profissionais que representem indígenas, mulheres e negros.
-
INGRESSO A OCDE: Vieira afirmou que o acordo para ingresso do Brasil a OCDE
será reavaliado. O processo iniciado na gestão de Bolsonaro não terá
continuidade. A conveniência de tal ato e suas exigências será analisada pela
nova gestão.
-
TEMAS CLIMÁTICOS: Volta a defesa destes temas e da defesa do meio
ambiente e demais temas correlatos. "O Brasil tem todas as condições de
consolidar-se como modelo de transição energética e economia de baixo
carbono", afirmou o chanceler.
-
COOPERAÇÃO AMAZÔNICA: Fortalecer a Organização do Tratado de Cooperação
Amazônica (OTCA), segundo ele, será "fundamental para reativar a
cooperação nesses e em outros temas de interesse dos países amazônicos, bem
como coordenar suas posições em foros mundiais".
-
CONTATO E COOPERAÇÃO NA AMÉRICA DO SUL: Mauro Vieira afirmou que o maior
prejuízo da política internacional de Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo foi o
distanciamento de seus vizinhos, diante disso, sua meta é o retorno do Brasil
para a região.
-
PACTO DA ONU SOBRE MIGRAÇÕES: O Brasil irá retomar sua posição dentro do
mecanismo, abandonado por Bolsonaro em seus primeiros dias de governo.
Lembrando que Ernesto Araújo, naquele momento, sustentava que "a imigração
não deve ser tratada como questão global, mas sim de acordo com a realidade e a
soberania de cada país".
-
RELACIONAMENTO COM A ÁFRICA: O chanceler afirmou que "Ao movimento
de retorno à nossa região deve corresponder a retomada da política externa
verdadeiramente universalista. A África, região da qual o Brasil esteve ausente
nos últimos anos, voltará a ser prioridade. Continente dinâmico, a África tem
avançado em seu processo de desenvolvimento; constrói, agora, uma gigantesca
área de livre comércio; e abrigará, em alguns anos, quase metade da juventude
mundial".
-
RELAÇÕES BILATERAIS: Segundo Mauro Vieira, o Brasil irá "retomar o
protagonismo construtivo nos foros e organismos internacionais onde temos uma
contribuição singular a oferecer", e completou que, "O Brasil será um
parceiro confiável, um ator incontornável, uma liderança e uma força positiva
em favor de um mundo mais equilibrado, racional, justo e pacífico".
Diante disso podemos afirmar que o protagonismo do Brasil no mundo, conquistado de forma quase natural e a partir das ações do Brasil dentro e fora de seu território, construído por diferentes governos e arruinado pela gestão Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo onde o país passou de protagonista para vassalo.


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