quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

A Devassa na Cultura Nacional continua no apagar das luzes

A Casa de Rui Barbosa considerada uma das mais importantes instituições de cultura e preservação de documentos do Brasil, teve a demissão de sua presidente, Letícia Dornelles, publicada no Diário Oficial de hoje assinada pelo Secretário da Casa Civil, Ciro Nogueira, a pedido do atual secretário nacional de cultura, André Porciuncula.

A exoneração de Dornelles vem logo após ela entregar um dossiê contra o ex-secretário nacional de cultura, Mario Frias. Dornelles assumiu a fundação em 2019, indicada pelo deputado Marco Feliciano, ela mantinha uma relação boa com o então secretário da pasta, Roberto Alvim, exonerado depois de veicular um vídeo com discurso supostamente copiado de um vídeo de Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda Nazista na Alemanha.

A Casa de Rui Barbosa abriga correspondências originais de escritores como Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector e Manuel Bandeira, além da biblioteca da residência do jurista que dá nome à fundação.

Apesar de, mesmo com o desgaste entre ela e o ex-secretário, Mario Frias, era esperado que se mantivesse no cargo até o final do mandato de Bolsonaro, 31 de dezembro de 2022, porém sua manutenção no cargo se tornou insustentável após ela, no último dia 5, ter se reunido com membros do GT de cultura da equipe de transição de Lula, os deputados federais Marcelo Calero (PSD-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Tulio Gadelha (Rede-PE).

Segundo interlocutores ouvidos pelo portal UOL, neste encontro ela teria provocado o assunto ao criticar Frias em voz alta. Dentre as reclamações, ela relatou que teria sido vítima de assédio moral e sabotagem em um projeto, depois do relato, ela teria entregue papéis com uma troca de e-mails que comprovariam suas afirmações, qualificadas como dossiê.

Ainda segundo esses mesmos interlocutores, Dornelles era conhecida por produzir dossiês e ingressar em ações judiciais e administrativas contra desafetos e servidores da fundação. Sua aproximação junto ao GT de Cultura teria o objetivo se valorizar diante da próxima administração, mostrando que “não é bolsonarista raiz”.

 

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