Antes
de ir embora o presidente Jair Bolsonaro amplia a destruição que é a marca de seu
governo. Com ministros do Meio Ambiente acusados de participação em extração
irregular de madeira; com departamento de proteção de índios e comunidades
tradicionais totalmente desmantelado, entregue a pessoas descompromissadas com
a proteção destas comunidades, a destruição era inevitável.
No
dia de hoje (16 de dezembro), sexta feira, o presidente Bolsonaro, no fim de
seu mandato, libera a exploração de florestas em terras indígenas, abrindo
caminho para uma ampliação do desmatamento em proporções nunca vistas. Vale
salientar que segundo dados da ONG Imazon “Em 2021, apenas 2,5% (263 km²) de
toda a destruição no bioma (10.362 km²) ocorreu dentro de territórios
indígenas”, e grande parte dos desmatamentos ocorreu no entorno destes
territórios.
Larissa
Amorim, pesquisadora do Imazon
afirmou, ainda em 2021: “Assim como o monitoramento do desmatamento que está
ocorrendo dentro das terras indígenas, que realizamos mensalmente, também é
muito importante saber o que está acontecendo ao redor delas. Conhecendo os territórios
mais cercados, os órgãos de fiscalização podem agir na proteção deles para
evitar que a derrubada da floresta avance sobre seus limites”, e completou
dizendo, “Precisamos que o Pará receba ações efetivas de proteção a esses
territórios, principalmente aqueles que também já estão sofrendo com a
derrubada da floresta dentro de suas áreas. A terra indígena mais ameaçada no
Pará no ano passado, a Trincheira/Bacajá, por exemplo, também está entre as
mais desmatadas em 2021”.
A
liberação de hoje vem assombrar os que lutam pelo reflorestamento e combate ao
desmatamento. A luta do novo governo para desfazer os desfeitos deste atual
governo, já inclui a área ambiental e tem conseguido adesão de ongs e governos
de outros países, mas este trabalho não será fácil, mesmo com este apoio. Temos
de ter leis mais severas com detenção e multas milionárias contra o
desmatamento e o garimpo ilegal, além de aumento expressivo das áreas de
preservação e das áreas de reflorestamento.
O
GT (Grupo de Trabalho) da equipe de transição na área ambiental emitiu um laudo
na última terça feira, 13 de dezembro, o documento faz um diagnóstico da
situação do meio ambiente e propõe um plano de ação para os primeiros 30 e 100
dias de governo, com a revogação de diversas normas e portarias editadas pela
gestão Bolsonaro nos últimos anos, que enfraqueceram a proteção ambiental.
Segundo
matéria publicada no último dia 15, quinta feira, no site do Instituto ClimaInfo,
entre os atos passíveis de revogação, estão o decreto que criou o
Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Mineração Artesanal e em Pequena
Escala, que favorece o garimpo, e o edital publicado pelo governo Bolsonaro no
começo do mês que promove o fraturamento hidráulico (fracking) como
método para extração de óleo e gás.


Nenhum comentário:
Postar um comentário