A
Copa do Mundo deveria ser, assim como as olimpíadas, uma celebração do esporte
e da inclusão, da luta contra a desigualdade e de comprometimento com uma
unidade mundial, de humanização e respeito as diferenças e aos diferentes.
Porém, contrariamente as olimpíadas que, tem eventos para ambos os sexos
ocorrendo simultaneamente, no mesmo ambiente e com a mesma estrutura, que é
usada, além disso, para as Paraolimpíadas, o que torna o evento e sua concepção
ainda mais inclusiva. A Copa do Mundo dá voz ao preconceito, à discriminação e
veta a crítica contra estes movimentos e abraça, aceita, o crime contra
estrangeiros, contra homossexuais e contra quem se opõe a este preconceito, a
esta discriminação.
Muito
já foi dito sobre a discriminatória visão do Qatar e de seus líderes, o que
interfere nas leis do país, quanto às mulheres, aos estrangeiros,
principalmente de países mais pobres, e aos homossexuais. As mulheres são dadas
como uma quase sub-raça humana, tendo de prestar reverência e respeito aos
homens, podendo ser judicialmente punida em caso de desrespeito ao pai ou
marido.
Quanto
aos estrangeiros, estes são contratados para o que chamam de sub emprego, o que
inclui a construção civil, limpeza, etc... Responsáveis estes pela construção,
limpeza e conservação de todo o país, dos estádios e toda estrutura turística e
de lazer da Copa. Porém seus salários são insatisfatórios para viver neste país
que é caro, as condições de trabalho são desumanas e o desrespeito a eles,
quanto seres humanos e quanto às suas necessidades é gritante, tanto que muitos
trabalhadores morreram na construção dos estádios por conta desta falta de
segurança aos trabalhadores.
Sobre
o preconceito contra os homossexuais ele é, igualmente, criminoso e absurdo.
Ser homossexual pode significar prisão e até a morte, demonstrações de afeto
entre homossexuais também, e com penas até maiores pela “justiça” do país e até
a deportação de estrangeiros. Ou seja, é um país que desrespeita o ser quanto
humano, diante de sua individualidade e desejo, sendo estas, individualidades e
desejos que não afetam a ninguém além da própria pessoa.
Particularmente,
eu acho que cada país e cada cultura tem o direito e até o dever de manter leis
que conservam e reforçam suas culturas e tradições, mas isso vai além, os Direitos
Humanos não podem ser negados, contestar é humano e a evolução depende de
contestações, mas não de negações.
No
momento em que o seu conceito de humanidade agride o de outro, isso não pode
ocorrer como regra e norma geral, simples assim. Muitos falam que “- Há, mas
quando eles vão aos outros países eles respeitam as regras, mesmo discordando
delas!”, porém as regras dos demais não os impede de ser quem são, o mesmo vale
a quando a França quis proibir o uso das vestimentas islâmicas por mulheres em território
francês, algo injustificável e por isso acabou não vigorando.
O
lamento vem quanto a maior parte da imprensa que, ao invés de repercutir com
mais efusividade estes absurdos e descalabros que, quando muito, saíram como
notinhas, se contorceu e criticou a decisão de última hora, do governo do
Qatar, de proibiu a venda e consumo de álcool nas proximidades e no interior
dos estádios. Cada um com suas prioridades?


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