quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Copa do Qatar, ou Copa do retrocesso e preconceito?

A Copa do Mundo deveria ser, assim como as olimpíadas, uma celebração do esporte e da inclusão, da luta contra a desigualdade e de comprometimento com uma unidade mundial, de humanização e respeito as diferenças e aos diferentes. Porém, contrariamente as olimpíadas que, tem eventos para ambos os sexos ocorrendo simultaneamente, no mesmo ambiente e com a mesma estrutura, que é usada, além disso, para as Paraolimpíadas, o que torna o evento e sua concepção ainda mais inclusiva. A Copa do Mundo dá voz ao preconceito, à discriminação e veta a crítica contra estes movimentos e abraça, aceita, o crime contra estrangeiros, contra homossexuais e contra quem se opõe a este preconceito, a esta discriminação.

Muito já foi dito sobre a discriminatória visão do Qatar e de seus líderes, o que interfere nas leis do país, quanto às mulheres, aos estrangeiros, principalmente de países mais pobres, e aos homossexuais. As mulheres são dadas como uma quase sub-raça humana, tendo de prestar reverência e respeito aos homens, podendo ser judicialmente punida em caso de desrespeito ao pai ou marido.

Quanto aos estrangeiros, estes são contratados para o que chamam de sub emprego, o que inclui a construção civil, limpeza, etc... Responsáveis estes pela construção, limpeza e conservação de todo o país, dos estádios e toda estrutura turística e de lazer da Copa. Porém seus salários são insatisfatórios para viver neste país que é caro, as condições de trabalho são desumanas e o desrespeito a eles, quanto seres humanos e quanto às suas necessidades é gritante, tanto que muitos trabalhadores morreram na construção dos estádios por conta desta falta de segurança aos trabalhadores.

Sobre o preconceito contra os homossexuais ele é, igualmente, criminoso e absurdo. Ser homossexual pode significar prisão e até a morte, demonstrações de afeto entre homossexuais também, e com penas até maiores pela “justiça” do país e até a deportação de estrangeiros. Ou seja, é um país que desrespeita o ser quanto humano, diante de sua individualidade e desejo, sendo estas, individualidades e desejos que não afetam a ninguém além da própria pessoa.

Particularmente, eu acho que cada país e cada cultura tem o direito e até o dever de manter leis que conservam e reforçam suas culturas e tradições, mas isso vai além, os Direitos Humanos não podem ser negados, contestar é humano e a evolução depende de contestações, mas não de negações.

No momento em que o seu conceito de humanidade agride o de outro, isso não pode ocorrer como regra e norma geral, simples assim. Muitos falam que “- Há, mas quando eles vão aos outros países eles respeitam as regras, mesmo discordando delas!”, porém as regras dos demais não os impede de ser quem são, o mesmo vale a quando a França quis proibir o uso das vestimentas islâmicas por mulheres em território francês, algo injustificável e por isso acabou não vigorando.

O lamento vem quanto a maior parte da imprensa que, ao invés de repercutir com mais efusividade estes absurdos e descalabros que, quando muito, saíram como notinhas, se contorceu e criticou a decisão de última hora, do governo do Qatar, de proibiu a venda e consumo de álcool nas proximidades e no interior dos estádios. Cada um com suas prioridades?

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