Desde
o período de campanha, em meados desse ano, o tema de revisão da Reforma
Trabalhista iniciada no governo Michel Temer (MDB) e complementada na gestão de
Jair Bolsonaro (PL), foi amplamente debatido, principalmente pelo presidente
eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que sempre se mostrou contrário à forma
como ela foi feita, sem um amplo debate entre as diferentes partes afetadas por
suas mudanças.
No
início deste ano, a Espanha revogou a reforma trabalhista feita no país, que
tem por base os mesmos preceitos utilizados e adotados na reforma brasileira.
Lá a revogação se deu por conta de a reforma, ao contrário do previsto, ter
gerado um aumento do desemprego, da informalidade e se mostrar totalmente
danosa a população trabalhadora. Esta revogação serviu de alimento para os
anseios do candidato do PT e serviu de base para seus argumentos.
No
Brasil, apesar de, em seus números oficiais do Governo Federal, mostrar um
aumento da geração de emprego, é preciso salientar que o atual governo,
classifica como “pessoa empregada” os informais, descaracterizando o propósito
desta pesquisa, o número de trabalhadores informais é o maior já visto nas
análises do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), chegando a 39,3
milhões de pessoas, ou 39,8% do total de empregados no país.
Recente
pesquisa do Datafolha registrou que para 56% dos entrevistados a reforma
conduzida no Brasil foi mais benéfica para empregadores que para trabalhadores.
A pesquisa foi realizada nos dias 19 e 20 de dezembro e, a postura contrária à
reforma supera 50% em praticamente todos os recortes socioeconômicos. As
exceções estão nos grupos de renda superior a dez salários mínimos (37%),
moradores da região Sul (43%) e empresários (27%).
A
mesma pesquisa também constatou que, para 77% dos brasileiros ter carteira
assinada, com seus direitos garantidos, mesmo com uma remuneração menor é a
opção preferida. Para outros 21%, trabalhar sem carteira, sem direitos
trabalhistas, é a opção desejada, mas apenas se o salário for maior.
O
assunto ainda é debatido, ainda não se sabe se o novo governo adotará, assim
como a Espanha, uma revogação, ou uma nova reforma, quase uma contra reforma,
readaptando partes da reforma já realizada. O nome apresentado pelo presidente
eleito, Lula (PT), para o Ministério do Trabalho, Luiz Marinho (PT), em
entrevista ao Valor Econômico, alegou que: “Não é revogar simplesmente a
reforma trabalhista. É reconstruir, levando em consideração o momento que
vivemos”.
Veremos,
como será o debate da nova gestão com o Congresso Nacional, pois qualquer
proposta neste tema dependerá de aprovação pelos membros do Senado e da Câmara
Federal. Trabalho para o futuro Ministro das relações Institucionais, Alexandre
Padilha (PT), que já ocupou este cargo no segundo mandato de Lula (PT), em 2009
e 2010, e ocupou o Ministério da Saúde no Governo de Dilma Rousseff (PT), entre
2011 e 2014.


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