quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Preconceito ainda ofusca muitas vitórias, recordes e conquistas, de mulheres, nos esportes

O preconceito e a desvalorização das mulheres no mundo dos esportes são tão fortes e presente quanto nos demais ambientes profissionais e sociais. O machismo ainda é uma barreira social a ser enfrentada, muitas conquistas já podem ser citadas e até comemoradas, mas a luta não pode esmorecer.

Recentemente tivemos uma vitória, que se conquistada por homens, estaria estampada em todos sites, jornais, revistas e programas de esporte de TV e rádio, mas como foi de uma mulher, a atenção foi tímida, extremamente tímida, ainda mais por ser em um esporte que muitos entendem ser “coisa de homem”, o Mixed Martial Arts (MMA). A lutadora brasileira Larissa Pacheco se tornou campeã mundial de MMA ao derrotar a atleta estadunidense Kayla Harrison por pontos, neste final de semana.

Além da questão salarial, visivelmente menor para mulheres comparado aos homens, tem a visibilidade dada pela mídia, tanto a especializada quanto a jornalística, tem a questão de como a mulher é vista, além da mídia, pela própria sociedade. Um exemplo simples é quanto aos trajes, no futebol e vôlei, por exemplo, enquanto homens usam bermudas largas, as mulheres usam shorts colados ao corpo, no caso do vôlei e do basquete, chegou a se ter uma polêmica grande quando fora proposto que as meninas usassem um traje que se assemelhava a um maiô, exatamente, um maiô. A alegação de que seria mais apropriado para a liberdade de movimentos é bastante fraca, tendo em vista que em nenhum momento algo assim fora proposto para os homens.

No caso da lutadora Larissa Pacheco, as ofensas chegaram pelas redes, questionando seus trajes e sua aparência, com alusões preconceituosas e ofensivas quanto a sua sexualidade, as roupas que utiliza e sua postura, ofensas às quais respondeu à altura. "Não tenho cabelo grande, não visto roupa de menina e não vou fazer isso porque estão reclamando. Vão ter de me aturar assim", alegou ela em matéria disponível no site UOL.

Ainda neste cenário, podemos falar do futebol, sendo o Brasil o “País do Futebol” há quem diga que é o “País do Futebol Masculino da Série A”, pois tudo que esteja fora deste universo, que representa menos de um décimo do universo futebolístico do Brasil, mas tem cerca de 90% da atenção e da verba destinada ao esporte, em todo o país.

A jogadora Marta, por exemplo, tem números e marcas que nenhum homem cruzou no futebol masculino, como ser eleita melhor jogadora do mundo seis vezes, sendo 5 anos seguidos, maior goleadora da seleção brasileira e de Copas do Mundo. Mesmo assim, Marta teve um salário de €$ 340 mil por temporada, segundo o portal FDR, enquanto Lionel Messi recebeu US$ 130 milhões, Cristiano Ronaldo recebeu US$ 115 milhões e Neymar Jr. recebeu US$ 95 milhões, segundo dados da revista Exame.

As conquistas são muitas, mas ainda irrisórias diante da disparidade encontrada nas relações sociais, no ambiente de trabalho e nos holerites. Lembrando que esta luta é de todos, pois o homem que trata com naturalidade ou distanciamento tal tema, mostra sua total falta de caráter, de respeito e de humanidade, com o próximo. Lembrando que estes são filhos, irmãos, tios, primos e pais de meninas e mulheres, ou seja, o distanciamento deles a este tema está apenas no tamanho de seu preconceito e desrespeito ao próximo, ou melhor, à próxima!

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