O preconceito e a desvalorização
das mulheres no mundo dos esportes são tão fortes e presente quanto nos demais
ambientes profissionais e sociais. O machismo ainda é uma barreira social a ser
enfrentada, muitas conquistas já podem ser citadas e até comemoradas, mas a
luta não pode esmorecer.
Recentemente tivemos uma vitória,
que se conquistada por homens, estaria estampada em todos sites, jornais,
revistas e programas de esporte de TV e rádio, mas como foi de uma mulher, a
atenção foi tímida, extremamente tímida, ainda mais por ser em um esporte que
muitos entendem ser “coisa de homem”, o Mixed Martial Arts (MMA). A lutadora brasileira
Larissa Pacheco se tornou campeã mundial de MMA ao derrotar a atleta
estadunidense Kayla Harrison por pontos, neste final de semana.
Além da questão salarial,
visivelmente menor para mulheres comparado aos homens, tem a visibilidade dada
pela mídia, tanto a especializada quanto a jornalística, tem a questão de como
a mulher é vista, além da mídia, pela própria sociedade. Um exemplo simples é quanto
aos trajes, no futebol e vôlei, por exemplo, enquanto homens usam bermudas
largas, as mulheres usam shorts colados ao corpo, no caso do vôlei e do
basquete, chegou a se ter uma polêmica grande quando fora proposto que as
meninas usassem um traje que se assemelhava a um maiô, exatamente, um maiô. A
alegação de que seria mais apropriado para a liberdade de movimentos é bastante
fraca, tendo em vista que em nenhum momento algo assim fora proposto para os
homens.
No caso da lutadora Larissa
Pacheco, as ofensas chegaram pelas redes, questionando seus trajes e sua
aparência, com alusões preconceituosas e ofensivas quanto a sua sexualidade, as
roupas que utiliza e sua postura, ofensas às quais respondeu à altura. "Não
tenho cabelo grande, não visto roupa de menina e não vou fazer isso porque
estão reclamando. Vão ter de me aturar assim", alegou ela em matéria disponível
no site UOL.
Ainda neste cenário, podemos falar
do futebol, sendo o Brasil o “País do Futebol” há quem diga que é o “País do
Futebol Masculino da Série A”, pois tudo que esteja fora deste universo, que
representa menos de um décimo do universo futebolístico do Brasil, mas tem
cerca de 90% da atenção e da verba destinada ao esporte, em todo o país.
A jogadora Marta, por exemplo, tem
números e marcas que nenhum homem cruzou no futebol masculino, como ser eleita melhor
jogadora do mundo seis vezes, sendo 5 anos seguidos, maior goleadora da seleção
brasileira e de Copas do Mundo. Mesmo assim, Marta teve um salário de €$ 340
mil por temporada, segundo o portal FDR, enquanto Lionel Messi recebeu US$ 130
milhões, Cristiano Ronaldo recebeu US$ 115 milhões e Neymar Jr. recebeu US$
95 milhões, segundo dados da revista Exame.
As conquistas são muitas, mas ainda
irrisórias diante da disparidade encontrada nas relações sociais, no ambiente
de trabalho e nos holerites. Lembrando que esta luta é de todos, pois o homem
que trata com naturalidade ou distanciamento tal tema, mostra sua total falta
de caráter, de respeito e de humanidade, com o próximo. Lembrando que estes são
filhos, irmãos, tios, primos e pais de meninas e mulheres, ou seja, o
distanciamento deles a este tema está apenas no tamanho de seu preconceito e
desrespeito ao próximo, ou melhor, à próxima!


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